AIREP XY 001 FL 1200 ...

26/08/2015

AIREP XY 001 FL 1200 1200 HZ NAT 05 47S/35 O 360/49FT MS10 ETA BSB 1500 HZ. O voo XY 001 passou sobre Natal. Informou as condições climáticas do seu nível de voo, sua velocidade e altitude; estimou seu próximo posicionamento, e a hora da próxima informação a ser coletada e divulgada. E seguiu caminho para o seu destino final, deixando um rastro no céu. Passou informações ao centro de controle de trafego aéreo e centros meteorológicos principais (CM1). Informações que podem ser uteis na confecção das próximas cartas meteorológicas, para planejamentos de próximos voos. Informações que constroem uma climatologia ao longo do tempo, da história. Não havia um HUB para pousar, nem cargas para movimentar.

NAT era uma alternativa emergencial, constante em um plano de voo. O voo XY 001 seguiu para o local que é desejado pelos seus passageiros embarcados, e para os destinos etiquetados em suas cargas e bagagens. Ainda podem haver transbordos e conexões. Todos a bordo com bilhete de embarque, e conhecimento aéreo (AWB). O comandante tem uma Time Line a cumprir, outros voos receberão suas cargas e/ou passageiros. Um HUB precisa ser muito bem localizado para servir a destinos, origens e procedências; um ponto de interseção de cargas e passageiros, informações e serviços. Um avião transporta cargas, passageiros e informações (*). A implantação de um HUB mexe com todo o Time Table de uma empresa, há contratos de cargas a cumprir. A falta de horário e falta de espaço, gera uma não comodidade; uma não conformidade, e abre oportunidades para voos fretados.

Não se cria um HUB, como muda-se o nome de uma rua, ainda que os dois causem transtornos a cargas e passageiros; comércios e serviços. Uma empresa não instala um HUB para resolver problemas de uma cidade, mas sim para facilitar seus próprios problemas, criando alternativas e soluções. Da mesma forma que mudar o nome de uma avenida não resolve os problemas nela existentes. Uma empresa aérea que domina o lado do Atlântico na América do Sul, juntou-se a outra que domina o lado do Pacifico. Juntaram problemas em busca de soluções, para dar a volta no mundo. Podem trocar cargas e passageiros, serviços e manutenções; peças e equipamentos; bilhetes e acomodações. Apartar brigas entre Boeing e Airbus.

Natal ao longo da história serviu como ponto de base e de apoio, de navegações marítimas e aéreas. E muito mais como ponto de apoio para a continuação de uma viagem ou uma jornada, as vezes uma missão (2ª GM). Um ponto referencial para abastecimento, do que poderia ter disponível ao costado da embarcação, em um breve e rápido reabastecimento, antes do aporte final. Um ponto para obter produtos e serviços essenciais, necessitados a bordo; água, viveres e reparos; peças e reposições.

O marco de Touros/RN é o marco inicial de que era possível aportar. Alguma caravela avistou a terra, ancorou e implantou o marco com informações entalhadas. Fernando de Noronha atuou como sentinela, para quem vinha da Europa. O Atol das Rocas o primeiro sinal do surgimento do continente. Lunetas preparadas e ouvidos atentos para e expressão esperada vinda da gávea; “Terra à vista”. Os índios não puderam ouvir pelo sistema de som, que Cabral anunciava a sua chegada, ele fundeou e desembarcou sem pedir permissão. Desembarcou com armas e bagagens.

Na época das caravelas, as viagens duravam meses, e havia pouco espaço para cargas e passageiros, só haviam marinheiros. Os espaços das caravelas precisavam ser otimizados com marinheiros, agua e mantimentos, preferencialmente os que não provocavam carências saudosistas e alimentares, evitando motins. Uma escala entre portos próximos era necessário. E das caravelas, surgiram os navios com a prioridade de cargas. Enquanto não havia terminado a construção do canal do Panamá, Natal era um ponto de apoio de abastecimento de agua e alimentos. Um ponto estratégico para navios que transportavam cargas, tendo Natal um ponto de apoio a rota, contornando o continente.

Surgiram os aviões no pós-guerra, os aviões militares se tornaram de uso civil, a sobra de guerra. E seu grande desafio era atravessar o Atlântico, transportando malotes e correspondências. Já conheciam os referenciais terrestres e marítimos mapeados por navios. Em voos vindos da Europa podiam usar uma bussola ou o Sol, e os arquipélagos, como pontos referenciais, para chegar a um destino. Começaram pelos caminhos das caravelas, seguindo o continente africano, observado a bombordo (**). Até o ponto da grande travessia sobre o Atlântico.

Ao avistar Fernando de Noronha, todos a bordo saberiam que o continente estaria próximo. Muitos aviões e hidroaviões pousaram ali. E Natal (NAT) era a próxima escala anunciada. O momento de descer, desembarcar e esticar as pernas, sentir-se em terra firme. Para então reembarcar e fazer uma nova jornada, contornando o continente, tal como na África, acompanhado as praias, agora a boreste ou bombordo. A próxima escala anunciada: Fortaleza (FTZ) ou Recife (REC).

Navios fazem viagens de cabotagem entre o porto de Rio Grande/RS e Manaus/AM, os portos extremos do Brasil, de navegação e cabotagem, com capacidade de receber grandes navios e grandes volumes de cargas. Um navio aporta quando há cargas para embarcar e desembarcar, cargas que compensem os custos de fundear, atracar, fazer movimentos de embarque e desembarque, e então desatracar. Cargas documentadas com conhecimento marítimo (BL). Tempo é dinheiro, e movimentação de cargas tem um custo, de capatazia e armazenagem. O embarcador quer sua carga no porto combinado e no dia prometido, e se possível com hora marcada. O transportador tem uma Time Line a cumprir. O tempo pode ser seu atraso e seu inimigo, o tempo do relógio, do calendário, e o tempo anunciado no céu, com chuvas e trovoadas, comprometendo a viagem e a carga. Fora os imprevistos técnicos enquanto atracado; é preciso ter uma margem, para contar com intempéries e imprevistos.

E os aviões evoluíram em tecnologia, de tamanho e autonomia; aumentaram empuxo e propulsão, envergadura e fuselagem; evoluíram com segurança em qualidade de voo, e quantidade de carga transportada. Podem passar sobre Natal sem aterrissar, apenas informando voo, destino e rota. Um rastro de vapor d’água é deixado no céu informando a direção tomada, e a temperatura muito baixa em altitude, fazendo a umidade do ar condensar. O sinal do céu informa que não havia cargas e/ou passageiros para embarcar e/ou desembarcar. Há uma Time Line a cumprir, um CB ou uma ITCZ pode estar a 12h, adiante na proa da aeronave, podendo causar solavancos, mudar cursos estimados e aumento do tempo calculado da viagem. Novas altitudes, novas velocidades, geram novas informações que constroem um novo conhecimento.

Natal vem servindo ao mundo de base de apoio a missões marítimas e aéreas; militares e espaciais. Continua sendo um ponto estratégico para missões especiais. Trampolim para novos saltos do conhecimento cientifico, a buscas de novas plagas. A busca do conhecimento que se adquire em viagens, pesquisando novos ambientes, e criando técnicas e estratégias para transporte e deslocamento: naus e naves, caravelas e navios; aeronaves e espaçonaves; naves marítimas, aéreas e espaciais. O homem terrestre já navegou nos mares e nos ares, sua próxima viagem é pelo espaço. Já deixou rastros de espumas sobre as ondas, e agora já há um rastro deixado no céu. O próximo rastro a ser avistado é no espaço. A volta para casa: “do pó vieste e ao pó retornarás”, o pó das estrelas.

 

(*) O avião como transmissão de conhecimento

http://www.publikador.com/tecnologia/maracaja/2014/11/o-aviao-como-transmissao-de-conhecimento/

 (*) O conhecimento embarcado

http://www.publikador.com/saude/maracaja/2014/12/o-conhecimento-embarcado/

 (**) Komunikologia II

http://www.publikador.com/outras/maracaja/2015/06/komunikologia-ii/

 

 

Textos relacionados:

Acione transponder

http://www.publikador.com/humor/maracaja/2015/07/acione-transponder/

O BUG do HUG

http://www.publikador.com/historia/maracaja/2015/08/o-bug-do-hug/

 

 

 
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