PI – Produção Intelectual

31/07/2015

Ao longo da história, e ao longo da vida, já ouvimos, e muito ouvimos, dizerem, falarem que alguém tem uma propriedade, tal ou talvez, como um terreno, uma casa, ou um apartamento. E até mesmo um imóvel liso, simples, pequeno, construído ou em construção. Uma propriedade que representa um capital de aquisição, um capital imobilizado com alguma liquidez, dependendo do tamanho e da localização.

E ouvimos falar também de outras propriedades mais caras e melhor definidas. Propriedades que representam um maior capital, um patrimônio, e são capazes de gerar mais capital aumentando o patrimônio econômico do proprietário ou do arrendatário. Exemplos são muitos: Fulano tem uma propriedade agrícola; Beltrano tem uma propriedade comercial, Ciclano tem uma propriedade industrial. A era da agricultura, do comércio e da indústria, os chamados setores da economia: primário, secundário e terciário. Da criação, passando pelo artefato e o artesanato, comercializando a produção, chegando a revolução industrial, instalações com maquinas e ferramentas. Modalidades de investimento do capital, e transformação de produtos, com uso de matéria-prima. Chegando à venda de serviços, um passo além da industrialização. Mas para que tudo dê certo, depende de um mercado e uma boa administração, segundo os especialistas de gestão e informação.

Capitais investidos em bens que geram produtos tangíveis e intangíveis (serviços). São capitais que correm riscos de mercado, de mudanças políticas, e de mudanças econômicas; dólar, variação cambial, juros bancários, juros financeiros e cotações. Atividades influenciadas pelas mudanças do segmento, e de comportamento do consumidor. Havendo então as necessidades de acompanhamentos, de ajustes do produto a novos perfis, e novos consumidores, ou a busca de outros novos consumidores, para um mesmo produto, a busca de novos mercados. A variação e oscilação do mercado, com a necessidade de avaliação do capital investido e aplicado. A ciência da gestão e da economia, com contabilidade e ergonomia.

Capitais que precisam estar atentos ao mercado, com variações e oscilações. Escolher clientes e escolher fornecedores, escolher parceiros e escolher colaboradores. Uma infinidade de escolhas e gestões; riscos e opiniões.

E ao longo da história, e da vida, escutamos, ouvimos, percebemos e aprendemos a falar que Fulano, Beltrano e Ciclano foram bem-sucedidos, e souberam chegar lá. Basta que tenham um automóvel, o símbolo do status de bem-sucedido. E dizem que souberam poupar, souberam administrar e souberam progredir. Sem se importar muito de que maneira chegaram lá, se foi por sorte ou consorte, palpites ou mortes. Por herança, por esforço ou por merecimento, e até por competição ou desgosto. O mais importante é saber o lugar que chegaram e que ocupam. Como chegaram são outros conjuros. Mas imaginar (e desejar) o que podem fazer, desejar ou comprar, o que podem pensar ou escolher, pela posição e condição alcançada. Esta é a questão questionada e avaliada. Julga-se e pensa-se que podem fazer de tudo. Tanto os que naqueles “altos lugares” chegaram, quanto os que apenas o aplaudiram e observaram, e até bajularam.

Podem possuir bens e capitais, imóveis e automóveis, nacionais ou internacionais. Aplicações aqui e ali. Mas poucos possuidores de capitais que representam valores mensuráveis, serão detentores de um outro capital, o imensurável: o capital intelectual. Um capital difícil de avaliar, e de ter um dimensionamento. Um capital construído ao longo de um tempo, com investimentos financeiros, investimentos literários e investimentos de aprendizagem e conhecimento. Investindo o tempo por um longo tempo. Investimento em cultura e aperfeiçoamento. Uma construção possível, e comum ser, além dos bancos colegiais aos bancos universitários. Bancos que administram conhecimentos, e vendem parcelados em anos e semestres. Um capital que é adquirido, e é intransferível. A transferência do conhecimento precisa de um querer receber. Não basta disponibilizar o saber.

O governo federal vem criando um novo grupo de excluídos, os sem faculdade e os sem universidade. Excluídos por falta de vagas, programas e financiamentos. Excluídos por cortes nos investimentos. E então surge uma necessidade, e uma oportunidade, dos sem faculdade e sem universidade construírem seu próprio conhecimento.

Os sem sala de aula, podem frequentar bibliotecas e livrarias; podem frequentar bancas de jornais e revistarias; podem ter acesso a internet e participar de cursos paralelos, rápidos e de extensão. Fora dos muros universitários vão criar suas técnicas e estratégias de guerrilhas, no campo do conhecimento e da educação. Poderão construir um conhecimento à sua volta, estarão no centro de um círculo com braços abertos destacando o seu diâmetro, com as mãos no lugar que alcançaram.

E depois de um tempo vai ser difícil resgatá-los para voltarem aos bancos universitários, para fazer especialização ou capacitação. Os mestres e doutores vão ter que desembainhar muitos canudos, na briga por um espaço em bancas de defesa e orientação. E talvez aqueles possuidores de capitais financeiros e econômicos, precisem pagar muito e caro para adquirir um novo capital, uma nova capacidade. A capacidade de construir um conhecimento.

 Periferia Parnamirim. Paquiderme potiguar, 31/07/15
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