Manifestação silenciosa.

27/03/2015

O poder público esta sempre alerta. Sempre pronto e sempre preparado para conter manifestações publicas no espaço publico. Protestos e manifestações que emanam do povo. Manifestações que fecham vias de acesso, e provocam engarrafamentos e transtornos, alterando e atrapalhando a movimentação urbana. Em casos extremos pode acontecer de haver alguns extremistas dentro de uma manifestação, que podem causar um caos urbano, provocando ameaças e arruaças, agressões e depredações. Daí então justifica a prevenção e presença de força policial, para evitar tais agressões e depredações ao patrimônio particular e individual de cada um, patrimônio corporal e material.

Mas diariamente há outro tipo de manifestação que pode ser observada nas ruas. Uma manifestação estática e silenciosa. Uma manifestação não percebida, e que passa despercebida pelo poder publico. Mas que deixa seu espaço delimitado, marcado e demarcado, diariamente e sistematicamente. A presença de dezenas à centenas de automóveis estacionados nas vias urbanas. A princípio em locais permitidos. E uma grande parte estacionadas em locais não permitidos. Locais com sinalização expressa ou até precária.

Com seus carros estacionados por muitas das vezes o dia todo, motoristas podem argumentar que precisam trabalhar e não tem outro lugar para estacionar. E com seus patrimônios ambulantes atrapalham a vida de pedestres e de cadeirantes. Atrapalham os caminhos dos carrinhos de bebes e dos carrinhos de compras. Julgam que seus carros são mais importantes. Colocam seus carros como um status, demarcando e ocupando o solo urbano, comodidade para sua vida e transtorno para outros.

Criticam o MST, mas querem ocupar as calçadas e as ruas. Muitos deles são motoristas solitários que não possuem nada, apenas um carro grande e de luxo, e talvez não tenham uma garagem para guardar. Quem deseja um carro tem que assumir custos e riscos. Julgam e acreditam que por pagar um IPVA, possuem direitos e poderes sobre as ruas e as calçadas. O melhor local para deixar um carro parado é na garagem da própria casa. O carro foi concebido e construído para movimentar, e não para estacionar.

Determinados fatos e atos no trânsito, como estacionar em uma esquina; estacionar em frente a um hidrante; estacionar em frente às garagens; estacionar em rampas de acesso para cadeirantes; estacionar em faixa de pedestre e outras modalidades de paradas e estacionamentos; existem regras previstas. São estacionamentos não permitidos, e previstos no código de transito, como infração. Fato que não justifica o não conhecimento, pelos motoristas supostamente habilitados.

Carros estacionados ao longo de uma via provocam um estrangulamento na via, e por muitas das vezes bloqueiam uma das pistas, provocando confusões e retenções. Carros estacionados ao longo do meio fio impedem pedestres de chegar e sair de uma calçada.

Carros estacionados ao longo de calçadas com piso táctil impedem a acessibilidade dos portadores de deficiência de locomoção e deficiência de visão
Carros estacionados ao longo de uma via tornam-se uma ameaça ao deslocamento de pessoas nas calçadas, e ao precisar atravessar uma rua. Atrapalha o transitar entre as calçadas e as travessias. Uma ameaça ao bom funcionamento de uma cidade. Um desrespeito ás regras e ás leis. Falta de bom senso e falta de educação, colocando o caráter á prova.

E as manifestações estáticas e silenciosas tornam-se mais graves, quando acontecem diante do poder publico. Literalmente nas barbas e às vistas do poder público. Com fiscais e policiamento público, diante dos atos e dos fatos corriqueiros. Nos pátios e nas calçadas de órgãos públicos. Carros mal estacionados são diariamente flagrados diante de repartições publicas, como prefeituras, câmara de deputados, câmara de vereadores, e outras. Órgãos onde rege o discurso de que ali é a casa do povo, com funcionários que trabalham pelo povo e para o povo. Ali encontramos políticos escolhidos e eleitos pelo povo, que por sua vez escolhem funcionários que devem trabalhar pelo povo. Ali debatem as necessidades e prioridades do povo com portas e janelas fechadas, com ar condicionado, cafezinho e água gelada.

Excelentíssimos Senhores, ocupem uma nova bancada, entrem em um ônibus, sentem nas praças, atravessem as ruas e andem pelas calçadas.

Roberto Cardoso
IHGRN/INRG
Desenvolvedor de komunikologia.

Natal/RN, 27/03/15
2.014
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