Tecnologias Assistivas e Fissurados

25/01/2016

Emmanoel Iohanam

Segundo Patrícia Almeida (in box), psicopedagoga e especialista em técnicas de inclusão. As Tecnologias Assistivas (TA), são a um grosso modo, uma tecnologia que provoque uma vida independente e qualidade de vida a pessoas com deficiência. Diz ainda que: O triste é que a maior parte da população, acha que incluir socialmente quem tem deficiência é balela.... Infelizmente a sociedade precisa mudar a forma de pensar (sic).

Consultando a publicação de Galvão Filho em “A construção do conceito de tecnologia assistiva: Alguns novos interrogantes e desafios”, vamos perceber que o conceito parte de um grupo de cientistas, especialistas, pesquisadores ou professores. Daí uma necessidade de as categorias construtoras da ciência e definição, utilizarem conhecimentos e vocabulários bastante distintos, e típicos, de acordo com as normas do conhecimento científico. A preservação dos saberes por um vocabulário restrito. O domínio da situação pelo conhecimento. A tentativa de deter um poder, de classificar o que é, e o que não é TA.

Galvão Filho cita ainda que, “Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007)” (sic).

Mas analisar e discutir tecnologias assistivas, há uma necessidade do entendimento de algumas palavras. Como tecnologia sendo um resultado de produção de um equipamento, resultado de estudos e conhecimentos; produção por processos industriais e distribuição por processos comerciais. E assistiva como um produto dando assistência, permitindo o uso a quem tem necessidade, como o simples uso de uma cadeira para um homem cansado. A poltrona diferenciada, no transporte coletivo, tem um objetivo de atender pessoas com maior idade, com uma maior incapacidade de seguir uma viagem em pé. Uma estratégia assistiva.

A oferta de cadeiras escolares para alunos não destros, os chamados canhotos, também é um modo de prestar uma assistência a uma minoria, que deseja estar em sala de aula tal como uma maioria. Uma determinada cidade localizada no Nordeste, tem grande incidência de pessoas com baixa estatura. E os supermercados da cidade adaptaram suas prateleiras e expositores, para aqueles que são seus clientes, e talvez uma maioria em número ou poder aquisitivo, naquela cidade. As atitudes e providencias assistivas, procuram tornar um ambiente, multi-acessivel, independente das condições físicas das pessoas.

Portanto conclui-se aqui que o termo tecnologia, no caso, a assistiva, inclui-se muito bem na linguagem cientifica e acadêmica. Alternativas ou estratégias assistivas, seria um termo mais apropriado a diversidade de estratégias e alternativas, teorias e técnicas que possam facilitar a pessoa com alguma deficiência, alguma dificuldade, ou alguma necessidade de realizar uma ação, que pareça ser comum a maioria das pessoas. Não cabe aqui o modelo teórico da atual definição, regida por normas e regras; deficiente ou com deficiência, portador ou não. Os objetivos dos modelos assistivos é participar de um mundo construído para os maiores percentuais de pessoas, dos conceituados normais. Estratégias de participar de um mesmo ambiente e espaço.

Não é raro ver em algumas cidades, pessoas pedintes, que não possuem ambas as pernas utilizarem um carrinho, semelhante a um skate, feito com madeiras e pregos, providos de rolamentos, rolimãs ou rodinhas, e por vezes com um pano, ou uma almofada por cima, permitindo seus deslocamentos por ruas e calçadas. Uma estratégia construída sem tecnologia, só com criatividade e imaginação. Em oficinas de automóveis também podemos ver um carrinho similar, que permite o mecânico entrar deitado por baixo dos automóveis. Na falta de um elevador para o automóvel, na rua ou na oficina, mecânicos disponibilizam-se de uma prancha com rodinhas. Há casos vistos, nas ruas, de pessoas que usam os chinelos nas mãos. As cidades buscam a acessibilidade, a começar por faixas e rampas.

No caso dos fissurados uma variedade de conhecimentos, técnicas, estratégias e tecnologias, são utilizadas com um objetivo. O objetivo de reconstrução do indivíduo, anatomicamente, psicologicamente e socialmente. Por falhas em sua embriologia. A ciência com o direito, a arte e a estética, disponibilizada ao fissurado, que pode ser excluído socialmente. Entre tantas exclusões, um excluído dos tipos de alimentos oferecidos e encontrados. Alimentos que precisam de uma mastigação, antes de uma deglutição.

No Rio Grande do Norte, em Natal/RN, está sendo articulada a formação da APAFIS/RN – Associação de Pais e Amigos dos Fissurados no RN. Com apoio e participação do CRO/RN – Conselho Regional de Odontologia e a Academia Norte-Rio-Grandense de Odontologia. Uma associação multidisciplinar, com a participação de pais e amigos, o encontro do não conhecimento com o conhecimento, o simples e popular com a ciência. A aproximação da equipe médica com o paciente, com a presença de pais e amigos, os que convivem o dia a dia com o problema. A questão social e o problema familiar.

Tecnologias Assistivas e Fissurados.

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Em 25/01/16

Roberto Cardoso “Maracajá”

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