O caos urbano implantado
O resultado da tríade: motoristas, falta de educação e omissão da prefeitura

07/11/2016

imagem: https://www.google.com.br/search?q=engarrafamento+em+natal&biw=1242&bih=606&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi23Kfl6JPQAhWIQ5AKHQheBCYQ_AUIBygC#imgrc=1Pdvjf22aZkuVM%3A

A imagem em tela, merecia um maior destaque, uma melhor análise, como analisar cada centímetro da cena. Já foi-se o tempo quando se dizia que as casas deste bairro eram enfeitadas de alecrim. A erva restou como nome ao bairro, e o cheiro agora é de fuligem e de fumaça. Nas ruas que já são estreitas, comerciantes ilegais ocupam parte das ruas e parte das calçadas, ocultando o espaço público junto com os veículos.  Não há ordenação urbana, até que aconteça uma catástrofe. As avenidas largas que um dia foram numeradas, estão cada vez mais estreitas com carros enfileirados dos dois lados, além de ocuparem as calçadas. Os canteiros no meio da pista, impedem a passagem de pedestres, já que os carros ficam sempre, muito “‘colados”, quando estacionados, junto às barracas e cigarreiras. E o bairro, em tela, é apenas a parte de uma cidade. Mas a cidade não pode ser vista pelo olhar cartesiano, olhando apenas um bairro, ela faz parte de um todo que configura a cidade. E o desordenamento urbano espraia-se pela cidade.


Um caos público e urbano que já estava anunciado. predestinado com exemplos arquétipos do prefeito, em seus comportamentos, acontecem diariamente e aconteceu um mais pontual recentemente. O caos urbano está implantado em Natal, como resultado de uma tríade, como excesso de carros nas ruas, ocupados por muitas vezes, com apenas o motorista; a falta de educação e a falta de respeito aos outros que convivem na cidade; as obras e a extravagâncias de uma prefeitura, que não dá o exemplo e colabora com a falta de estrutura urbana. A falta de cumprimento de regras, o descumprimento de regras de urbanidade.


Não última sexta feira (04/11) aconteceu um experimento público com muitos condutores de veículos, e alguns de seus ocupantes. Ficar preso no trânsito sem nenhuma causa extraordinária visível e aparente; sem chuvas alagando a cidade, sem manifestações políticas ou administrativas,  ou um acidente de grandes proporções. Era apenas o resultado de muitos veículos nas ruas, um fato já há muito anunciado. E só faltou uma alternativa a população motorizada e encarcerada em seus veículos, nas ruas e esquinas da cidade. Postar seus lamentos e murmúrios nas redes sociais. O inconsciente urbano levou muitos a um mesmo destino.


Quem trafega todos os dias pela BR 101 no sentido Parnamirim-Natal, já antecipava um acontecimento. Durante um engarrafamento é possível observar na lateral das pistas, as concessionárias e revendedoras de veículos, com seu pátios lotados, denunciando veículos que ameaçam invadir a cidade, bastando um desejoso adquirir um veículo. E na última sexta-feira, a tragédia anunciada aconteceu. Um nó urbano pelas ruas de Natal. E o foco estendeu-se pela Avenida Roberto Freire onde a prefeitura diz não ser de sua competência. Excluindo a BR e a RN que cortam a cidade, o prefeito parece se sentir satisfeito, dorme em berço esplêndido, olhando a cidade pelo buraco da fechadura.


A última gestão da prefeitura não foi capaz de criar mais ruas para os novos veículos circularem. A maquiagem foi perfeita, com uma propaganda eleitoral usando as lentes de costas para a cidade. E os proprietários de veículos todos os dias, tiram seus carros de suas vagas e garagens, para ocupar um espaço nas ruas, e para subir em calçadas. Tiram seus carros da própria casa para colocar na porta de outras casas. Cada condutor tem uma responsabilidade, estacionar sem causar um problema ao outro. Fazem uma concorrência desleal com seus veículos, que ocupam alguns metros quadrados, além de uma pessoa que faz seu deslocamento com solas de sapato e movimento das pernas. Automóveis ajuntados ocupam mais espaço que os ônibus de transporte coletivo. O trem e o VLT circulam pela periferia da cidade.


E quando os motoristas e proprietários são indagados sobre a necessidade e o uso de um carro, afirmam ser a necessidade de deslocamento em função da deficiência no transporte público. Um transporte rarefeito e sempre muito cheio, que os fazem transpirar e desmanchar seus penteados. Saltos altos não estão aptos a calçadas esburacadas. Então fazem a opção de comprar um carro e enfiar a cabeça na areia. Não estão dispostos a uma manifestação pública, de exigir transportes dignos que se adequam às suas necessidades e vaidades, não querem se misturar com o povo. São herdeiros de um modelo arquétipo de americanos e holandeses, e mais outros povos do mundo. São filhos de grandes famílias que ocuparam estas terras, e numeram os filhos no idioma francês, tal como os reis.


O prefeito nobre intelectual, que despacha para a prefeitura em um local fechado com ar condicionado, sem janelas, para observar a cidade, já teve a oportunidade de visitar e estudar em outras cidades. E como deveria estar sempre muito ocupado, para imaginar um futuro, não planejou a sua cidade. Mas dá um “Bom dia Natal” com orgulho nas redes sociais, esperando uma resposta dos seus seguidores, e seus súditos. Não imaginou sua cidade além dos dixsept de cores rosadas; galvões e gaviões, mais alguns guerras e outros alves. Pode não ter ficado atento a história da cidade, que diz que Pedro Velho em sua época, andava a cavalo para observar a cidade, descobrir problemas e tomar providências. Pedro Velho era boticário e médico, estava acostumado com anamneses e receitas. Sabia diagnosticar e fazer prescrição acompanhando a evolução ou melhoria dos problemas. A partir de Natal, governou o estado. O prefeito atual formado em direito, defende a própria causa, e de seus amigos motorizados com picapes e SUVs, com GPS e ar condicionado..


A cidade que não se define se é do Natal ou de Natal, fruto das invencionices de Cascudo, sempre foi aberta aos povos estrangeiros. Recebeu portugueses e holandeses, que desembarcaram de caravelas. Chegaram os italianos e os franceses, com os primeiros aviões. Os italianos trouxeram de presente uma pedra, de restos de entulhos e metralhas romanas. Os americanos montaram uma base com campo de pouso, e com decolagens chegaram em outras terras. Agora a cidade criou um aeroporto enorme, e continua aguardando que pouse um HUB, para ajudar o estado. Querem ampliar o porto para receber maiores tonelagens, mas não tem logística urbana para transporte de cargas. Natal que foi sempre aberta, não fortaleceu suas raízes para implantar uma posição e uma história. Sempre serviu de trampolim para outros povos. Da época das caravelas, passando pelo início da aviação, aos aviões maiores; da navegação marítima a navegação aérea. Tentou alcançar o espaço e perdeu sua condição de cidade espacial. E assim perpetua seus arquétipos, enquanto não mudar seu paradigma.


O atual prefeito levou um totó dos bandidos. Teve seu carro oficial roubado na porta da casa dos vereadores, Um local mal planejado, com carros sempre mal estacionados na porta e nas calçadas. Ao longo da via, e na vizinhança a casa do povo não dá o exemplo ao cidadão. Um local previsível de chegar alguém mal intencionado, sem identificar os símbolos nas portas, seja da casa ou do carro, “pareciam estar no lixo’, e os meliantes levaram o carro do prefeito. Os meliantes agem assim como as moscas e mosquitos, gostam de lixo e desatentos, água parada e carro estacionado em local indevido.


A cidade é um organismo vivo com veias e artérias movimentando em um sentido, um vai e vem. Estão infestadas de vírus e bactérias nesta corrente líquida, que se movimenta 24 horas, indo ou vindo a partir de um bombeamento. Vias cheias de ideias e antibióticos cada um na sua especialidade, A  prescrição básica sem usos de elementos químicos,  é ar puro em um ambiente saudável e natural. Mais um antimicótico para uso tópico, limpando as calçadas, a epiderme da cidade. Os trombos já estão surgindo, sufocando a cidade. Januário Cicco apostava em saneamento básico, prevendo um futuro. Agora o conceito de saneamento foi ampliado, não é simplesmente a não existência de fossas, mas água pura e ar limpo, com pistas amplas e livres contribuem para um bom saneamento, em uma cidade trombótica.


Diante de tantos casos e descasos, com o trânsito influenciando e impedindo e eficiência da segurança pública, vem um resultado. As pessoas começam a andar armadas. A cidade é um sistema complexo. E trânsito é essencial na segurança pública, facilitando o movimento de patrulhas e ambulâncias, além do Corpo de Bombeiros.


Roberto Cardoso

Entre Natal/RN e Parnamirim/RN, em 07/11/16


Texto em:

http://pelasruasdenatal.blogspot.com.br/2016/11/o-caos-urbano-implantado.html

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